C. Quais os factores de risco?

1. Factores de  risco não modificáveis

Idade O risco de AVC aumenta com a idade.

Sexo Os homens correm maior risco de ter um AVC, embora mais mulheres morram de AVCs. Isto ocorre porque os homens têm AVCs mais cedo, tendo maiores hipóteses de recuperação.

Grupo étnico e racial Certos grupos étnicos têm maior risco de ter AVCs que outros. Por exemplo, pessoas da África ocidental e das Caraíbas têm o dobro do risco de ter um AVC em relação a uma pessoa caucasiana.

factores genéticos

  História familiar Em Portugal, cerca de 30% de doentes com AVCs têm história familiar de AVCs, isto é, esses pacientes têm pelo menos mais um familiar afectado por esta doença. A influência de um estilo de vida comum entre membros de uma família pode também contribuir para um "AVC familiar".

   Factores genéticos de risco Os genes têm um papel na expressão de factores de risco de AVC como hipertensão, doenças cardíacas, diabetes e malformações vasculares. Existe evidência que sugere a existência de genes que predispõem um indivíduo para desenvolver ou ser resistente a AVCs.





2. F
actores de risco modificáveis com tratamento médico

Hipertensão

hipertensão    Pessoas com hipertensão (pressão arterial elevada persistente, superior a 140/90 mm Hg) têm um risco de AVC 4 a 6 vezes superior ao das pessoas com pressão arterial normal (pressão arterial de ±120/80mm Hg). O impacto da hipertensão, no risco total de AVC, diminui com o aumento da idade.

    Em pessoas novas a hipertensão afecta mais os homens. Contudo, com o aumento da idade mais mulheres que homens sofrem de hipertensão.

    A hipertensão acelera o processo de arteriosclerose e pode levar à ruptura de um vaso sanguíneo ou a uma isquemia.

 

Diabetes

                                                         Existem 2 tipos principais de diabetes:

pessoa normal    Diabetes de tipo 1 ou dependente de insulina- quando o corpo é incapaz de produzir insulina, uma hormona produzida pelo pâncreas que controla o uso de diferentes “combustíveis” para a obtenção de energia. Esta hormona é particularmente importante porque permite ao corpo utilizar a glucose como energia, em vez das gorduras. Quando não há insulina, o corpo não consegue usar nem armazenar o açúcar que vem com a comida, o que provoca um aumento dos níveis de açúcar na corrente sanguínea (hiperglicémia).resistência à insulina

    Diabetes de tipo 2 ou resistente à insulina- quando as células do corpo são incapazes de responder à insulina produzida pelo pâncreas.


    Pessoas com diabetes têm um risco 3 vezes superior de ter um AVC do que indivíduos sem diabetes.

    O risco de AVC provocado por diabetes é mais elevado entre os 50 e 70 anos de idade e depois diminui. Este risco varia tal como a hipertensão, homens novos são mais afectados que as mulheres (com a mesma idade) e com o aumento da idade as mulheres sofrem mais que os homens.

    Pessoas com diabetes podem ter outros factores de risco (como a hipertensão) a contribuir para uma amplificação do risco de AVCs. 

 

Colesterol

    O colesterol é uma substância cerosa, produzida pelo fígado, vital para o corpo. Ele contribui para a produção de hormonas e vitamina D e é um componente integral das membranas celulares.

    O sangue é um líquido de base aquosa que não se mistura com o colesterol (gorduroso/constituído por lípidos), por isso este tem de estar protegido por uma camada proteica para poder percorrer todo o corpo através da corrente sanguínea. Ao conjunto de colesterol e proteína dá-se o nome de lipoproteína.


placa artérioscleróticaHá dois tipos de colesterol:
- HDL ou lipoproteína de elevada densidade- o colesterol bom
- LDL ou lipoproteína de baixa densidade- o colesterol mau

    O conjunto dos dois colesteróis forma o nível de colesterol total. Em análises do nível de colesterol, menos de 200mg/dl é um bom sinal, enquanto que mais de 240mg/dl pode ser preocupante.
    Grande parte do colesterol
que circula na corrente sanguínea é LDL. Quando há um excesso de colesterol a circular no sangue, ele começa a depositar-se ao longo da parede interna das artérias. A acumulação deste LDL leva ao endurecimento das paredes arteriais e ele transforma-se em placas arteriais que bloqueiam os vasos sanguíneos, levando à arteriosclerose e consequentemente a AVCs. 



Doenças cardíacas

doenças cardíacas    Quaisquer doenças cardíacas, em especial as que produzem arritmias, constituem factores de risco para AVCs. Um exemplo é a fibrilhação auricular, um batimento irregular da aurícula esquerda do coração. Pessoas com fibrilhação auricular têm um batimento da aurícula esquerda 4 vezes superior ao do resto do coração, o que leva a uma corrente sanguínea irregular e à formação ocasional de coágulos sanguíneos, que podem viajar até ao cérebro. Esta condição é mais prevalente em idosos. O risco de AVC em pessoas com esta doença aumenta com a idade.
         

Outras doenças cardíacas que aumentam o risco de AVCs incluem:

- Malformações das válvulas do coração e do músculo cardíaco.
- Forame oval persistente (FOP)- é uma passagem ou buraco na parede do coração separando os dois átrios (câmaras superiores) do coração. Coágulos no sangue são geralmente filtrados pelos pulmões mas esta condição permite aos coágulos não terem de passar pelos pulmões, indo directamente pelas artérias até ao cérebro. 
- Aneurisma septal auricular- malformação congénita do tecido cardíaco. É uma invasão do septum ou parede cardíaca na aurícula do coração. 
- Aumento da aurícula esquerda- pessoas que têm uma aurícula esquerda maior que o normal.
- Hipertrofia do ventrículo esquerdo- pessoas que têm um estreitamento da parede do ventrículo esquerdo.

A cirurgia cardíaca também é um factor de risco. A cirurgia para corrigir malformações do coração ou reverter o efeito de doenças cardíacas, pode levar ao deslocamento de placas da aorta. Estas podem viajar até ao pescoço e cabeça e provocar AVCs.

 

3. Factores de risco do estilo de vida modificáveis

Obesidade aumenta o risco de diabetes, hipertensão arterial e arteriosclerose, aumentando indirectamente o risco de AVCs.

Sedentarismo aumenta o risco de AVCs, porque a falta de actividade física pode levar à obesidade.

tabagismo    Fumar duplica o risco de AVC isquémico. Isto acontece porque fumar promove a arteriosclerose e aumenta os níveis de factores de coagulação do sangue.
    Fumar também agrava os danos provocados pelo AVC porque enfraquece a parede endotelial do sistema vascular do cérebro.
    O risco de AVC diminui imediatamente depois de deixar de fumar, mas a maior redução dá-se entre 2 a 4 anos após.


   bebidas álcoolicas                    
   
    C
onsumo excessivo de álcool é um factor de risco para AVCs isquémicos e hemorrágicos já que com o seu consumo há um aumento da pressão sanguínea. No entanto o consumo diário de pequenas doses parece ter um efeito protector contra AVCs isquémicos. Isto acontece possívelmente porque o álcool diminui a capacidade de coagulação das plaquetas.

 



uso ilícito de drogas

   Uso de drogas ilícitas pode provocar AVCs. A cocaína pode actuar sobre outros factores de risco (hipertensão, doenças cardíacas e doenças vasculares). A cocaína reduz a corrente sanguínea no cérebro, causa constrição vascular, inibe o relaxamento vascular, causa arritmias cardíacas e acelera o ritmo cardíaco, podendo levar à formação de coágulos. A marijuana diminui a pressão arterial e, juntamente com outros factores de risco, pode causar níveis de pressão sanguínea flutuantes.