A malária, doença causada pelo parasita Plasmodium falciparum, continua a ser uma da principais causas de mortalidade a nível mundial. Uma equipa internacional de investigadores liderados por Carlos Penha-Gonçalves, Investigador Principal do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), identificou pela primeira vez factores genéticos associados ao risco de desenvolvimento de malária cerebral, uma manifestação grave da malária, em crianças Angolanas. Esta descoberta, agora publicada na revista Plos One(*), é o resultado de um estudo realizado no hospital pediátrico de Luanda, capital Angolana, onde a malária é a doença com maior incidência e que causa maior número de mortos.
Sabe-se que factores genéticos influenciam a forma como os seres humanos reagem à infecção pelo parasita Plasmodium falciparum. Daí que algumas pessoas desenvolvam sintomas leves, enquanto noutras a infecção pode conduzir a manifestações graves da doença, como a malária cerebral. Contudo, a influência dos factores genéticos no desenvolvimento de complicações específicas da malária é desconhecida. Carlos Penha-Gonçalves e a sua equipa compararam variações genéticas de pacientes que apresentavam sintomas de malária cerebral com doentes que, embora infectados, não desenvolveram esta manifestação. Partindo de uma lista de genes, descobriram que variantes de dois deles, TGFB2 e HMOX1, contribuem para o desenvolvimento de malária cerebral nas crianças Angolanas.
Ambos os genes haviam sido previamente implicados no desenvolvimento de malária cerebral e em outras formas de malária em modelos animais (ratinhos infectados no laboratório com o parasita ). Este estudo prova agora a sua relevância em humanos.
Rosário Sambo, estudante de doutoramento no grupo de Carlos Penha-Gonçalves e primeira autora do artigo, descreve a forma como o estudo foi conduzido: “Em Luanda, registámos 749 crianças e respectivas mães no estudo. As crianças, com entre 6 meses e 13 anos de idade, estavam registadas no principal hospital pediátrico da cidade. Deste grupo faziam parte crianças saudáveis, crianças com sintomas de malária cerebral, crianças com malária severa (mas que não desenvolviam malária cerebral) e pacientes assintomáticos. Usando técnicas de mapeamento genético, estudámos variações nas sequências de ADN de vários genes, incluindo as de TGFB2 e HMOX1, e investigámos a sua prevalência nos vários grupos de pacientes”.
Carlos Penha-Gonçalves acrescenta “Este estudo abre portas para futuros estudos de associação genética e funcionais, noutras populações. Desta forma será possível determinar o papel exacto destes genes no desenvolvimento da malária cerebral. No futuro, esta colecção de variantes genéticas pode ser usada para identificar atempadamente pacientes mais susceptíveis a esta manifestação da malária e prevenir o seu desenvolvimento”.
(*) Depois do Embargo o artigo estará disponível online em: http://dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0011141
.
Sambo MR, Trovoada MJ, Benchimol C, Quinentos V, Gonçalves L, Velosa R, Marques MI, Spúlveda N, Clark TG, Mystafa S, Wagner O, Coutinho A, Penha-Gonçalves C; “Transforming Growth Factor Beta 2 And Heme Oxygenase 1 Genes Are Risk Factors For The Cerebral Malaria Syndrome In Angolan Children”; Plos One, 16 June, 2010
Para mais informações, por favor contacte Ana Godinho Tel. 21 440 7959